Uma escrita suave que, como quem não quer nada, envolve. Adoro encontrar um livro bem trabalhado na forma. Uma narrativa calma, inteligente e sedutora, que me fez entrar e seguir por linhas, páginas e capítulos sem perceber. Foi um caminhar por Brasília. Fui pega pela mão de um jeito delicado. Senti calma. Um respiro pela cidade junto com as personagens que poderiam ser eu, você, os milhões de nós. Para quem mora aqui, é um presente. No livro de Lívia Milanez os espaços perpassam a experiência sensorial e afetiva. “Tanto silêncio que era impossível não escutar a si mesma”. Até quando a gente quer fugir do mundo, não estar em cidade alguma, “todos nós, limitados às duas coordenadas de espaço e tempo”. As cidades-personagem enlaçando as experiências subjetivas. Lembrei das minhas cidades-trajetórias. Com o livro senti calma mesmo diante do vazio concreto. Pensei sobre como cheguei aqui, Brasilia, para onde “vai gente de todo lugar, fugindo de si mesma, mas dizendo que veio encontrar algo”. Obrigada, Lívia, por essa experiência. Seu livro é lindo.

Andressa Marques

Helena Terra

Waldomiro J. Silva Filho