Em Brasília, Setembro

Lívia Milanez

4/5

Uma escrita suave que, como quem não quer nada, envolve. Adoro encontrar um livro bem trabalhado na forma. Uma narrativa calma, inteligente e sedutora, que me fez entrar e seguir por linhas, páginas e capítulos sem perceber. Foi um caminhar por Brasília. Fui pega pela mão de um jeito delicado. Senti calma. Um respiro pela cidade junto com as personagens que poderiam ser eu, você, os milhões de nós. Para quem mora aqui, é um presente. No livro de Lívia Milanez os espaços perpassam a experiência sensorial e afetiva. “Tanto silêncio que era impossível não escutar a si mesma”. Até quando a gente quer fugir do mundo, não estar em cidade alguma, “todos nós, limitados às duas coordenadas de espaço e tempo”. As cidades-personagem enlaçando as experiências subjetivas. Lembrei das minhas cidades-trajetórias. Com o livro senti calma mesmo diante do vazio concreto. Pensei sobre como cheguei aqui, Brasilia, para onde “vai gente de todo lugar, fugindo de si mesma, mas dizendo que veio encontrar algo”. Obrigada, Lívia, por essa experiência. Seu livro é lindo.

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A Construção_Andressa Marques

A Construção

Andressa Marques

4/5
Aqui, do alto da minha janela protegida do primeiro andar de um prédio da Asa Norte, num Bloco H, terminei de ler o livro A Construção, da Andressa Marques. Trabalhamos juntas no Ministério da Cultura e tenho um carinho especial por ela, além de admiração, que sempre tive e que aumentou com a leitura. Mais que um livro bonito, é um livro importante. Mais que importante, é boa literatura. É boa porque entra na nossa alma.
Os dias de sempre_Helena Terra

Os Dias de Sempre

Helena Terra

4/5
Helena Terra fala de relações raciais e de classe. Ela e eu fomos crianças brancas na década de oitenta (a personagem por aí, talvez um pouco antes). O romance retrata o afeto da menina branca pela mãe preta no bojo de uma relação paternalista. Do afeto e da percepção da diferença, porém, sem o respaldo de uma leitura mais clara sobre o que acontecia ali.
Os dias_Waldomiro

Os Dias

Waldomiro J. Silva Filho

4/5
O livro é um beco sem saída. De uma tristeza. Penso no antes e no depois de um ato brutal – no caso, a violência de Estado da ditadura militar brasileira. Aquilo que esvai o o que entra com força. No caso de Os Dias, acabou o dia a dia familiar, acabou mãe e acabou pai. Acabou o Brasil. Acabou. Mas não terminou.