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Mini Resenhas
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Romances e contos

A Construção
Andressa Marques
4/5
Aqui, do alto da minha janela protegida do primeiro andar de um prédio da Asa Norte, num Bloco H, terminei de ler o livro A Construção, da Andressa Marques. Trabalhamos juntas no Ministério da Cultura e tenho um carinho especial por ela, além de admiração, que sempre tive e que aumentou com a leitura. Mais que um livro bonito, é um livro importante. Mais que importante, é boa literatura. É boa porque entra na nossa alma.

Os Dias de Sempre
Helena Terra
4/5
Helena Terra fala de relações raciais e de classe. Ela e eu fomos crianças brancas na década de oitenta (a personagem por aí, talvez um pouco antes). O romance retrata o afeto da menina branca pela mãe preta no bojo de uma relação paternalista. Do afeto e da percepção da diferença, porém, sem o respaldo de uma leitura mais clara sobre o que acontecia ali.

Em Brasília, Setembro
Lívia Milanez
4/5
Uma escrita suave que, como quem não quer nada, envolve. Adoro encontrar um livro bem trabalhado na forma. Uma narrativa calma, inteligente e sedutora, que me fez entrar e seguir por linhas, páginas e capítulos sem perceber. Foi um caminhar por Brasília. Fui pega pela mão de um jeito delicado. Senti calma. Um respiro pela cidade junto com as personagens que poderiam ser eu, você, os milhões de nós. Para quem mora aqui, é um presente.

Os Dias
Waldomiro J. Silva Filho
4/5
O livro é um beco sem saída. De uma tristeza. Penso no antes e no depois de um ato brutal – no caso, a violência de Estado da ditadura militar brasileira. Aquilo que esvai o o que entra com força. No caso de Os Dias, acabou o dia a dia familiar, acabou mãe e acabou pai. Acabou o Brasil. Acabou. Mas não terminou.
4/5
Os livros do Jacques Fux nunca me decepcionam. Durante a leitura, permanece a sensação de que há algo a ser compreendido. Ele, porém, nos ajuda a suportar esse buraco oferecendo à compreensão um texto divertido e inteligente.

Os Perigos do Imperador
Ruy Castro
4/5
Os Perigos do Imperador, do Ruy Castro, não é meu tipo de livro. Mas vou começar pelos méritos. Bem escrito, com as palavras em seus lugares. Foi divertido voltar a ouvir os nomes do Império (conde D’eu, lembram?), acompanhar o giro que ele faz pela cidade Rio de Janeiro. Imaginei o pessoal circulando por lá em 1876, 100 anos antes do meu nascimento.

A Vida Mais Invisível de Maria das Dores
Armando Milioni
4/5
Nossos livros (Chumbo e A Vida Mais Invisível de Maria das Dores) partem da mesma indignação. Bebem da mesma fonte: a dos acontecimentos históricos sob uma leitura econômico-político-social de esquerda (para evitar discussões entre trotskismos e leninismos). Levamos esse macro dos acontecimentos, visões e leituras de mundo para a vida das pessoas, para o cotidiano.

Baleias no Deserto
Tiago Novaes
4/5
Falávamos do fim do mundo no meio da pandemia. Câmeras. Eu, Tiago Novaes e Andrea Berriell. Ele já tinha um projeto de escrita no qual queria mergulhar – e experimentar a psilocibina. Já tinha lido um monte de coisas a respeito. Vamos para o México? No meio da pandemia? Será que na Chapada dos Veadeiros não tem? Tava todo mundo em crise. Crise conjugal, o mundo estava virando e tínhamos medo de morrer de COVID. Algo em comum nos salvava: o projeto da revista e os ensaios que estávamos escrevendo.

No fundo do oceano os animais invisíveis
Anita Deak
4/5
Anita Deak mostra como a linguagem literária é poderosa e como cabe coisa dentro dela. Cabe uma vida, duas ou três, uma floresta inteira, povos e comunidades e a luta política ocorrida na ditadura militar brasileira.

Roxo
Andrea Berriell
4/5
Ouvi vozes, sonhei e acordei suada no meio da noite. Não eram quatro, mas cinco investigadoras: estive o tempo todo dentro do livro. E o livro dentro de mim. Gozo. Sangue. Infância, injustiça social, traição, inveja, amor.

Quarto de despejo
Carolina Maria de Jesus
/5
Ela, Carolina Maria de Jesus. O lugar, favela do Canindé, anos cinquenta. “Devo incluir-me, porque eu também sou favelada. Sou rebotalho. Estou no quarto de despejo, e o que está no quarto de despejo ou queima-se ou joga-se no lixo”. Todos os dias ela nos conta quantos cruzeiros conseguiu.

Rachaduras
Natália Timerman
/5
A gente lê rápido, mas mergulha fundo. Um conto reforça o outro e faz a gente entrar num espaço muito maior que em cada um deles. Abria o livro e entrava. Fechava e continuava lá. Três partes, três universos. No mínimo.
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Só chegar!
Conto no grupo
Grupo de leitura de contos cuja linha condutora é dada pelos próprios participantes e pela discussão gerada. A cada encontro, a decisão sobre a próxima leitura. Há o desejo de ler e conversar sobre o que a literatura é capaz de fazer – horrores. Houve a escrita e a publicação, em redes sociais, dos “micro contos insalubres de Natal” e dos “micro contos de carnaval”. Conhecido pelos participantes como “cafofo literário”, Conto no Grupo é produtivo e colaborativo. Só chegar!
