Nossos livros (Chumbo e A Vida Mais Invisível de Maria das Dores) partem da mesma indignação. Bebem da mesma fonte: a dos acontecimentos históricos sob uma leitura econômico-político-social de esquerda (para evitar discussões entre trotskismos e leninismos). Levamos esse macro dos acontecimentos, visões e leituras de mundo para a vida das pessoas, para o cotidiano. Mesmo com tantas semelhanças, aconteceram dois livros diferentes. O de Armando Milioni atravessa períodos históricos (da Era Vargas até os dias de hoje) com sensibilidade, conhecimento, crítica e, ouso dizer, amor no olhar. Comentei, há alguns dias, que o livro foi uma companhia maravilhosa e isso eu senti do começo ao fim: uma boa conversa, com uma voz “serena e crítica”, o conhecimento implícito, os personagens reais-fictícios, a simplicidade profunda e a delicadeza de me fazer chorar. O autor coloca em relação uma grande quantidade de forças – gênero, raça, classe social, maternidade, prostituição, migração, violência sexual, ditadura, religião, política entre outras. Faz isso sem demonstrar ambição, mas com a naturalidade de um olhar bem-informado e sensível. Armando conseguiu articular as forças de 3 um mundo injusto em sua narrativa, e está tudo ali, dentro e fora das personagens e na vida que conseguem construir. Foi um enorme prazer ler o seu livro, Armando Milioni.

Andressa Marques

Helena Terra

Lívia Milanez